Comentários sobre reportagem do Dr. Drausio (Fevereiro 2022) QUANDO UMA INFORMAÇÃO PERDESEU VALOR E SE DESCOBRE UMA MENTIRA
p. Daniel Dell Valle
Este domingo (primeira semana de fevereiro 2022) assisti a
uma reportagem, na TV, que nos alertava sobre o uso indevido de alguns
suplementos naturais que se vendem como milagrosos.
Essa reportagem, conduzida por um Médico reconhecido na mídia e cheio de méritos, trazia a notícia e a alerta sobre um produto específico, um tal “50 ervas”, que seria produzido de forma totalmente irregular, sem nenhuma fiscalização dos órgãos competentes, o que já de pôr si, justificava a própria reportagem.
Já no começo me identifiquei com o discurso do Médico, pois,
como naturoterapeuta, são as mesmas palavras que utilizo para com meus
consulentes.
NO EXISTE REMÉDIO MILAGROSO. NEM NA MEDICINA NEM NA
NATUROLOGIA.
QUANDO VEJA OU OUÇA QUE UM PRODUTO NATURAL, SUPLEMENTO O
ERVA FAZ MILAGRES, PRIMEIRO, NÃO ACREDITE. O MILAGRE ESTÁ NA MUDANÇA DE HÁBITOS
E DE ATITUDES E NÃO EM NENHUM TIPO DE REMÉDIO.
Isso é justamente o que transmito a meus amigos e
consulentes, entusiasmados perante de algum “remédio milagroso”. E é o que
pratico na minha profissão.
O que me chamou a atenção nessa reportagem foi a quantidade
de inexatitudes e de meias verdades, que de por si, diminuíram a
responsabilidade do produto em questão e questionaram e denigraram o uso das
plantas medicinais, que tão úteis tem se demostrado ao longo da história e com
amplo respaldo de pesquisas científicas como se gosta de exigir. E sabemos, que
nem todas as pessoas conseguem ler entrelinhas nestes tempos de fake News e de
desinformação.
Se apresentou um caso. O caso de uma pessoa que teve
problemas sérios de fígado. Uma pessoa que acabou perdendo a vida após um
transplante, o que é profundamente lamentável. O intuito desta opinião não é
questionar a quem perdeu a vida nem a sua família, que sem dúvidas é quem sofre
essa perda. Nós sentimos toda perda de vidas humanas...... e não seria
diferente neste caso.
O intuito é apontar a essas meias verdades, a essa história
contada de forma “rápida” e sem provas, e que acaba por botar um aviso de
perigo, de suspeita, taxando de venenoso a tudo aquilo que não esteja escrito
num receituário médico.
Por exemplo, toda planta e todo remédio médico possui
toxicidade. E claro é que se engana quem supõe que uma planta medicinal por ser
natural não fara mal. Mas, a maioria das vezes se trata não da planta e sim da
dose consumida dessa planta. São amplamente conhecidas as plantas tóxicas e
para quem exerce sua profissão com responsabilidade isso não é nenhum problema.
A maior parte dos laboratórios que produzem suplementos alimentares a base de
plantas medicinais, o fazem com essa mesma responsabilidade e em geral com
fiscalização e com documentos ao dia.
Não em tanto, o uso tradicional de plantas medicinais,
fundamentalmente aquelas que estão no mato ou no quintal de casa, escapa à
fiscalização, mas não ao senso comum, que filtrou o conhecimento secular que
troce alívio e soluções para os problemas de saúde de incontáveis pessoas, e,
que no seu momento, abriu o caminho para o conhecimento e produção de remédios
sintéticos.
Interessante é que se fizeram muitos exames e nenhum deles
evidenciou o problema que afetava o fígado dessa e de outras pessoas
mencionadas na reportagem. Nenhum médico achou causas prováveis para tamanho
desequilíbrio e deterioro funcional. E então alguém percebe que aquele “remédio
natural” estava sendo usado... e segundo a própria médica depoente, nesse mesmo
instante, não teve
nenhuma dúvida de que esse “remédio natural” era a única causa desse desastre...
Isto... sem provas, sem exames que provem a forma em que esses temerários
“remédios” tóxicos degradaram as células hepáticas de forma tão rápida....
Ou... será que haveria no fígado uma condição patológica previa ao uso desses
produtos naturais?... Ou será que os remédios médicos que recebeu em
tratamentos anteriores, antes, durante e depois do transplante, ...todos eles,
estariam isentos de efeitos iatrogênicos...?
É qual é a história pregressa desses indivíduos? Quais seus hábitos e
emoções que pautavam o ritmo da vida dessas pessoas?
As Plantes assinaladas como tóxicas naquele produto possuem
certa toxicidade, mas são ampla e cuidadosamente usadas na naturologia e pela
população em geral. Agora, essas plantas medicinais, na proporção e doses
daquelas capsulas... cientificamente falando..., poderiam provocar essa falência
hepática indiscriminadamente?
Quanto tempo necessitaríamos tomar essas plantas e essas
cápsulas, em aquelas proporções, para desestabilizar o funcionamento hepático
ao ponto de levar a morte uma pessoa?
Ao parecer, a informação contida na reportagem, não resulta
clara e se respalda em convicções e certezas que possuem por trás filosofias
que até respeitamos, porém, sem os argumentos científicos que tal denuncia
merece.
Para nós, meros espetadores com opinião própria, esses
lamentáveis episódios e sofrimentos, são produto de uma cascata de eventos que
de jeito nenhum podem se resumir ao uso de essas plantas medicinais. Fazer
isso, parece nos levar através das medias verdades, ao obscurantismo.
Seria de uma grande utilidade, se a reportagem fosse mais
“democrática” e não apresentasse só um lado da notícia, o lado médico.
Sim confirmamos que as plantas medicinais podem apresentar
grados diferentes de toxicidade tanto pelas suas características, como pela
forma em que são preparadas e pelas doses consumidas.
Sim condenamos a empresa que produz e vende de forma
criminosa suplementos alimentares como os da reportagem, se valendo de
propaganda enganosa e de meios mal fiscalizados. Mas acreditamos que não é com
argumentação enganosa que contribuiremos com a informação que o consumidor
necessita para tomar suas decisões.
Sim respeitamos a opinião médica que, como dizemos, se
sustenta em uma determinada filosofia, assim como sempre foi ao longo da
história. Só apontamos de que existem outras opiniões, ainda que não
sacramentadas, da mesma forma que não é sacramentada a opinião médica.
Sim compreendo a reportagem, assim como ela foi ao ar neste
domingo. A compreendo como uma ferramenta pobre e exaustivamente usada para
desinformar através da repetição de informação parcial.
E sim, estou convicto de que não é possível prescindir do
bom e responsável uso de meios naturais, das plantas que chamamos de
medicinais, da filosofia e da humanidade por trás das práticas de saúde
integrativa e complementares.
É a nossa opinião.
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